sábado, 3 de janeiro de 2026

ABRINDO A TAMPA: PLANO DE VOO DESAJEITADO

 

 

Parece que foi ontem e eu trelava na beira do rio inventando poetar sem nem saber direito. Tanto que no primeiro dia da escola, a professora do primário perguntou: O que você quer ser quando crescer? Todos os meus coleguinhas de classe haviam escolhido aquelas profissões que dignificavam ser gente grande. Eu, ao contrário, coisa de louco: Quero ser poeta! - Poeta? -, perguntou a professora com o semblante mais sem graça, como se dissesse consigo mesma: Não tem coisa melhor, não? Logo ela, a maravilhosa professora da Escola Fraternidade Palmarense, Hilda Galindo Corrêa, filha do legendário dramaturgo Lelé Corrêa. E como os coleguinhas todos os dias levavam presentes pra ela, eu sempre esquecia. Mas não passava batido: todo dia sapecava umas quadrinhas infantis e entregava pra ela no final da aula. Se ela se embevecia com isso ou não, pouco importa. Porém, um dia lá, eu já aluno do ginasial, mais que amostrado entre os poetas da cidade e gritando aos ventos meus versos endoidecidos, ela me fez uma surpresa: entregou-me uma pasta enorme com várias edições do Suplemento Júnior, do Diário de Pernambuco, com minhas quadrinhas todas publicadas lá. Por isso digo e repito: a culpa é dela.

O plano de voo mais desajeitado. Amanhecia a cada dia e a decolagem não tinha destino certo, nem rota, quantas alternativas possíveis, colisões imprevisíveis, tráfego, intenções nas asas da imaginação. Como já disse: o meu brevê sempre foi a imaginação. Se bem soubesse tinha era ficado quieto, mas não: teimava. E como. Sonhos que não há quem explique, pois nascia na vigília e era pura alucinação, isso no meio do meio dia. Só eu mesmo: poetar era preciso, viver não.

Olhos oníricos: a minha cabeça no ninho das quimeras, nas orelhas de asa-delta: onde eu vivo e a galáxia, não há distância e ansiava alturas. Quantas quedas, hem?

O tempo passou: 20, 30, 40, quarentantanos artevistas. Mesmo? Nada pra comemorar. Pode até se dizer que são jactâncias desmedidas. Não, não é. Um dia aprendo. Ainda tenho muito por fazer. E vamos nessa!

 

PS: INTROITO ANTES DO COMEÇO DE TUDO...

 

Precisava definir a decolagem, quando? Princípio de conversa, Ora!...

Ah, tinha jeito não: prum menino treloso da beira do rio feito eu, tornei-me um espalha-brasas virado da breca e sem um pingo de juízo.

Confesso: fiz de tudo, ou quase. O bom mesmo é rir das minhas próprias leseiras. Dou boas gaitadas mesmo.

Vamos aprumar a conversa!?!

 

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VINTANOS TATARITARITATÁ

 

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