GRÊMIO
CULTURAL CASTRO ALVES - Nos
primeiros anos do Ginásio Municipal, lá pelo início da década de 1970, as
coisas já começavam a tomar corpo: já andava todo cheio das pregas com os meus
poemas infantis publicados no suplemento infantil Júnior, do Diário de
Pernambuco, que era editado pelo memorável Fernando Spencer, iniciativa esta
tomada pela minha professora do primário. Hilda Galindo Corrêa, da Escola
Fraternidade Palmarense. Por causa disso, a professora e bibliotecária Jessiva
Sabino atualizava sempre os murais da Biblioteca Pública com meus versos
incipientes. Pense numa afetação de bicho besta! E a coisa aprumou mesmo quando
passei a integrar já ao chegar no colegial, o Grêmio Cultural Castro Alves, no
Colégio Diocesano dos Palmares, culminando com a publicação do meu primeiro
poema caprichado, Fotogenia enfática de um mentecapto alógico, no Jornal
do Grêmio (Junho, 1975). Vixe! Foi muita corda e mangação dos pariceiros
Mauricinho Melo Junior, Gulú, Célio Carneirinho, Fernandinho Melo, Ozi dos
Palmares e Zé Ripe, afora outros que a memória me furta indesculpavelmente. Foi
muita corda! E a primeira foi com o Luizinho Barreto, quando a gente inventou
de montar as peças teatrais do pai dele, Fenelon Barreto. Depois foi a vez da tuia
de letra que fiz pras músicas de Fernando Bigodinho – saudoso parceiro Fernando
Melo Filho, o que me levou a participar da Feira de Música do Juareiz, depois
pra do Pinhras e a última que eu mesmo fiz. Pronto, estava solto na buraqueira!
A partir de então, diversos poemas meus foram publicados no Diário de
Pernambuco, Jornal de Alagoas, Jornal Gravatá (PE), Jornal Caipira (RJ – Edição
encartada no disco Em Família, de Egberto Gismonti, 1981), Jornal NH (SP), Jornal
Lítero-Pessimista (PE), Folha de Pernambuco, O Diário (AL), e publicações como
Blocos (RJ), Pro-Texto (PE), Leia Amigos (RJ), O literário (AL), Reviragita
(SP), A Toca do (meu) poeta (PB), Verso Livre (AL), TomZine (MG), Tudo é Poesia
(MS), Correio de Poesia (PB), Espaço Poético (MG), Nave da Palavra (RJ), entre
outros. Tinha mais remédio não, ora. Estava apaixonado pelo teatro, estudando
que só e, como a montagem do Fenelon malogrou, parti prum voo solo pegando
carona nos espetáculos que via no Recife. Meti as catanas e escrevi meu
primeiro texto. Aproveitei a amizade do Mano Germano, juntamos Du Rego com
outros que queriam estrelar a peça e nem pestanejei: encenamos com uma plateia
ruidosa na quadra do Colégio Diocesano.
NOITES
DA CULTURA PALMARENSE - Quando
dei fé estava enrolado ativamente com as Noites da Cultura Palmarense,
capitaneada pelo escritor e artista plástico, José Durán y Durán, culminando com
a publicação das edições da revista Nova Caiana e do caderno especial Nova
Caiana, em 1979 – este com uma histórica entrevista com o poeta Raimundo Alves
de Souza, pai biológico do também poeta, Vinicius de Morais – coisa que o
próprio Vinícius sabia, a ponto de tascar numa de suas entrevistas: “Sou o
filho único de um pai de muitos filhos”. Pois bem: a gente invadia as escolas
com recitais, exposições de poemas ilustrados, jograis, violadas e o que desse
na telha dos arteiros. Por essa época me envolvi como sonoplasta para os filmes
de Givanilton Mendes, o mesmo memorável sujeitamigo que me levou a estrear como
ator de humor, com o personagem Professor Língua de Sogra, numa escolinha que
ele inventou para as tardes de sábados e domingos – quando não tinha mantinê,
claro! -, no palco do Clube dos Ferroviários, tudo com o propósito de fazer a
garotada embolar de rir com as presepadas de Du Rego imitando Genival Lacerda.
Tempos bons, inesquecíveis. Eu que não levava muito jeito no papel, mas
engalobava bem nas cenas. Ao mesmo tempo que a coisa andava solta, para minha
formação fui cursar Letras na Famasul que, à época, ofertava apenas os períodos
para Licenciatura Curta. Fui então pro Recife e lá fui fazer a Licenciatura
Plena em Letras na Faculdade de Filosofia do Recife (Fafire). Cursei então Relações
Públicas na Esurp, mas troquei por Comunicação Social, na Unicap. Foi o período
que me enturmei com os que faziam plantão na legendária Livro 7,
zanzando entre o BeerHouse, o Beco da Fome, Savoy, o Pátio de São Pedro e
adjacências, participando de recitais, zines, revistas, antologias, encenações,
montagens de peças teatrais, shows musicais e outras papagaiadas impagáveis.
Queria era estar mesmo no meio dos acontecimentos, desde as solenes reuniões do
suntuoso primeiro andar do Bar Savoy, passando pelas mesas dos bares da
comunidade universitária, tirando onda com invocações poéticas no trastejado do
violão, assistindo tudo que fosse de cinema de arte, prestigiando encenações
teatrais das mais estreladas às mais mambembes, pegando bigu na bebericagem de
vernissagens e exposições, acompanhando palestras e debates sobre movimento
cultural e artístico e alinhando os planetas em tudo que fosse ajuntamento de
gente nos pinotes performáticos que acontecessem a céu aberto.


