quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

GRÊMIO CULTURAL & NOITES DA CULTURA PALMARENSE

 

 

GRÊMIO CULTURAL CASTRO ALVES - Nos primeiros anos do Ginásio Municipal, lá pelo início da década de 1970, as coisas já começavam a tomar corpo: já andava todo cheio das pregas com os meus poemas infantis publicados no suplemento infantil Júnior, do Diário de Pernambuco, que era editado pelo memorável Fernando Spencer, iniciativa esta tomada pela minha professora do primário. Hilda Galindo Corrêa, da Escola Fraternidade Palmarense. Por causa disso, a professora e bibliotecária Jessiva Sabino atualizava sempre os murais da Biblioteca Pública com meus versos incipientes. Pense numa afetação de bicho besta! E a coisa aprumou mesmo quando passei a integrar já ao chegar no colegial, o Grêmio Cultural Castro Alves, no Colégio Diocesano dos Palmares, culminando com a publicação do meu primeiro poema caprichado, Fotogenia enfática de um mentecapto alógico, no Jornal do Grêmio (Junho, 1975). Vixe! Foi muita corda e mangação dos pariceiros Mauricinho Melo Junior, Gulú, Célio Carneirinho, Fernandinho Melo, Ozi dos Palmares e Zé Ripe, afora outros que a memória me furta indesculpavelmente. Foi muita corda! E a primeira foi com o Luizinho Barreto, quando a gente inventou de montar as peças teatrais do pai dele, Fenelon Barreto. Depois foi a vez da tuia de letra que fiz pras músicas de Fernando Bigodinho – saudoso parceiro Fernando Melo Filho, o que me levou a participar da Feira de Música do Juareiz, depois pra do Pinhras e a última que eu mesmo fiz. Pronto, estava solto na buraqueira! A partir de então, diversos poemas meus foram publicados no Diário de Pernambuco, Jornal de Alagoas, Jornal Gravatá (PE), Jornal Caipira (RJ – Edição encartada no disco Em Família, de Egberto Gismonti, 1981), Jornal NH (SP), Jornal Lítero-Pessimista (PE), Folha de Pernambuco, O Diário (AL), e publicações como Blocos (RJ), Pro-Texto (PE), Leia Amigos (RJ), O literário (AL), Reviragita (SP), A Toca do (meu) poeta (PB), Verso Livre (AL), TomZine (MG), Tudo é Poesia (MS), Correio de Poesia (PB), Espaço Poético (MG), Nave da Palavra (RJ), entre outros. Tinha mais remédio não, ora. Estava apaixonado pelo teatro, estudando que só e, como a montagem do Fenelon malogrou, parti prum voo solo pegando carona nos espetáculos que via no Recife. Meti as catanas e escrevi meu primeiro texto. Aproveitei a amizade do Mano Germano, juntamos Du Rego com outros que queriam estrelar a peça e nem pestanejei: encenamos com uma plateia ruidosa na quadra do Colégio Diocesano.

 


NOITES DA CULTURA PALMARENSE - Quando dei fé estava enrolado ativamente com as Noites da Cultura Palmarense, capitaneada pelo escritor e artista plástico, José Durán y Durán, culminando com a publicação das edições da revista Nova Caiana e do caderno especial Nova Caiana, em 1979 – este com uma histórica entrevista com o poeta Raimundo Alves de Souza, pai biológico do também poeta, Vinicius de Morais – coisa que o próprio Vinícius sabia, a ponto de tascar numa de suas entrevistas: “Sou o filho único de um pai de muitos filhos”. Pois bem: a gente invadia as escolas com recitais, exposições de poemas ilustrados, jograis, violadas e o que desse na telha dos arteiros. Por essa época me envolvi como sonoplasta para os filmes de Givanilton Mendes, o mesmo memorável sujeitamigo que me levou a estrear como ator de humor, com o personagem Professor Língua de Sogra, numa escolinha que ele inventou para as tardes de sábados e domingos – quando não tinha mantinê, claro! -, no palco do Clube dos Ferroviários, tudo com o propósito de fazer a garotada embolar de rir com as presepadas de Du Rego imitando Genival Lacerda. Tempos bons, inesquecíveis. Eu que não levava muito jeito no papel, mas engalobava bem nas cenas. Ao mesmo tempo que a coisa andava solta, para minha formação fui cursar Letras na Famasul que, à época, ofertava apenas os períodos para Licenciatura Curta. Fui então pro Recife e lá fui fazer a Licenciatura Plena em Letras na Faculdade de Filosofia do Recife (Fafire). Cursei então Relações Públicas na Esurp, mas troquei por Comunicação Social, na Unicap. Foi o período que me enturmei com os que faziam plantão na legendária Livro 7, zanzando entre o BeerHouse, o Beco da Fome, Savoy, o Pátio de São Pedro e adjacências, participando de recitais, zines, revistas, antologias, encenações, montagens de peças teatrais, shows musicais e outras papagaiadas impagáveis. Queria era estar mesmo no meio dos acontecimentos, desde as solenes reuniões do suntuoso primeiro andar do Bar Savoy, passando pelas mesas dos bares da comunidade universitária, tirando onda com invocações poéticas no trastejado do violão, assistindo tudo que fosse de cinema de arte, prestigiando encenações teatrais das mais estreladas às mais mambembes, pegando bigu na bebericagem de vernissagens e exposições, acompanhando palestras e debates sobre movimento cultural e artístico e alinhando os planetas em tudo que fosse ajuntamento de gente nos pinotes performáticos que acontecessem a céu aberto.

 

Veja mais aqui & aqui.